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Ciência Cidadã é o processo por meio do qual cidadãos colaboram com pesquisas científicas. Essa colaboração pode ser:
1. Por meio da elaboração de questões científicas de interesse dos próprios cidadãos;
2. Por meio da coleta de dados que auxiliem na resposta a uma questão científica (elaborada pelos cientistas cidadãos ou por cientistas profissionais);
3. Por meio da visualização dos resultados obtidos a partir dos dados coletados e discussão dos mesmos.
A Ciência Cidadã, dessa forma, contribui para a formação científica dos cidadãos envolvidos, ao mesmo tempo em que contribui para a realização de projetos científicos de ampla escala espacial e/ou temporal, que seriam muito difíceis ou impossíveis de se realizar sem essa colaboração.
Chamamos de cientistas cidadãos ou cientistas cidadãs as pessoas que participam desses projetos.
As Unidades de Conservação (UCs) são áreas, terrestres ou marinhas, de proteção ambiental, instituídas pelo poder público (municipal, estadual e federal), que possuem características naturais relevantes; as quais tem como função preservar o patrimônio biológico existente.
Há vários tipos de UCs, que são divididas em dois grupos:
Unidades de Proteção Integral: tem como principal objetivo a proteção da natureza, e por isso possuem regras e normas mais restritivas, sendo permitido apenas o uso indireto dos recursos naturais, como a recreação em contato com a natureza, turismo ecológico, pesquisa científica, educação e interpretação ambiental, sem que haja consumo, coleta ou dano aos recursos naturais.
As categorias de proteção integral são: estação ecológica, reserva biológica, parque, monumento natural e refúgio de vida silvestre.
Unidades de Uso Sustentável: tem como objetivo conciliar a conservação da natureza com o uso sustentável dos recursos naturais, e a presença humana nessas áreas. Atividades que envolvem coleta e uso dos recursos naturais são permitidas desde que praticadas de forma a manter constantes os processos ecológicos e os recursos ambientais renováveis.
As categorias de uso sustentável são: área de relevante interesse ecológico, floresta nacional, reserva de fauna, reserva de desenvolvimento sustentável, reserva extrativista, área de proteção ambiental (APA) e reserva particular do patrimônio natural (RPPN).
A Estação Ecológica (ESEC) Tupinambás é uma UC marinha costeira de proteção integral localizada no litoral norte do estado de São Paulo, que foi criada em 1987. Possui uma área de 2.463,59 hectares que inclui ilhas, ilhotas e parcéis das cidades de Ubatuba e São Sebastião.
Costões rochosos são ambientes costeiros formados por rochas que se estendem até o fundo do mar. Estão situados na transição entre os meios terrestre e aquático, e possuem diversos organismos associados a eles, sendo que a maioria dos organismos presentes são relacionados ao mar. Seu substrato duro (consolidado) favorece a fixação de algas e larvas de diversas espécies de invertebrados, como cracas, moluscos, esponjas e corais. Esses organismos não ocupam o costão de forma aleatória. Sua distribuição no espaço é influenciada por fatores abióticos (ambientais), especialmente por conta da variação diária das marés; e também por fatores bióticos, como a interação entre os organismos. Esses fatores fazem com que sua distribuição ocorra por meio do que chamamos de zonação, formando faixas horizontais bastante distintas no costão, que são chamadas de:
Infralitoral: zona que fica sempre submersa, independente da variação das marés.
Mediolitoral: zona que compreende a área que fica exposta durante a maré baixa e submersa durante a maré alta.
Supralitoral: zona que nunca é encoberta pela maré alta, apenas recebe respingos de água das ondas.
Como vimos, os costões rochosos estão sujeitos a fatores que podem influenciar variações nos padrões de distribuição dos organismos que os habitam, podendo os mesmos serem abióticos, como a influência das marés, o batimento das ondas, a salinidade, a temperatura, a posição e inclinação do costão, os minerais que formam as rochas e o sombreamento do costão; ou bióticos, como a herbivoria, predação e a competição entre os organismos. Essas variações podem ocorrer tanto ao longo do espaço quanto com o decorrer do tempo.
Além destes, também existem fatores provenientes de interferência humana, especialmente observados em costões próximos a centros urbanos, onde os costões estão mais sujeitos à poluição, ao excesso de nutrientes na água que diminuem a quantidade de oxigênio disponível (eutrofização), ao pisoteamento devido ao elevado fluxo de pessoas, e à coleta de organismos; o que pode causar a queda da biodiversidade nessas áreas. Tendo isso em vista, o conhecimento dos fatores que influenciam os costões rochosos e seu monitoramento contínuo se fazem essenciais para a detecção de padrões de variação, podendo-se, assim, prevenir ou mitigar possíveis impactos.
Para que um monitoramento contínuo seja efetivo, é necessária a realização de extensa varredura dos costões rochosos em relativo curto período de tempo, o que é um desafio para as UCs, já que geralmente se tratam de áreas muito extensas, e que, com frequência, possuem limitações de recursos humanos e financeiros para realização dessas atividades.
Podemos entender os biótopos como unidades da paisagem que formam o mosaico de manchas de organismos de cores, texturas e formatos diferentes presentes nos substratos, sejam eles duros, como os costões; ou moles, como a areia. Eles são fáceis de identificar visualmente, seja em campo ou através de fotografias. Essas características visíveis das manchas são dadas por um ou alguns poucos organismos dominantes, fazendo com que sua identificação seja fácil e rápida; e também são esses organismos dominantes que dão nome aos biótopos.
Cada uma das manchas do mosaico visível na foto é um biótopo, e essa rápida e fácil identificação é também importante para o monitoramento dos costões rochosos, por exemplo.
Os biótopos podem ser divididos em quatro categorias, que são:
Banco: engloba todos os biótopos com organismos cujos indivíduos podem ser diferenciados uns dos outros. Eles são maiores e menos associados que nos tapetes, e frequentemente deixam algum espaço vazio entre eles.
Colônia: engloba os grupos de indivíduos da mesma espécie que vivem em íntima associação, com cada colônia ocupando uma porção significativa do substrato, permitindo sua distinção como um aspecto definido da paisagem.
Crosta: biótopos dispostos de maneira achatada e próxima ao substrato, às vezes calcificados e fortemente aderentes.
Tapete: refere-se aos biótopos constituídos por organismos filamentosos pequenos de uma ou mais espécies, densamente agrupados, frequentemente emaranhados, e que cobrem completamente o substrato.
Animais vágeis também podem aparecer nas fotografias, que são organismos capazes de vagar pelos costões, mas possuem locomoção lenta, como as estrelas-do-mar e os pepinos-do-mar.
Os nomes dos biótopos são compostos pelo nome da categoria à qual pertencem e pelo nome do organismo ou organismos dominantes que compõem o biótopo (Nome da categoria + Nome do organismo dominante).
A plataforma Zooniverse foi construída com base na língua inglesa, que não possui palavras com caracteres especiais, como acentos e cedilhas, que muito utilizamos na nossa língua portuguesa. Por essa razão, quando acentuamos uma palavra na interface de classificação, a mesma não é identificada pelo sistema, resultando em "?" ao invés da letra acentuada. Por essa razão, optamos por não acentuar as palavras para facilitar a leitura, ainda que não estejam grafadas da maneira correta.
Pedimos desculpas por isso.
As fotografias que serão analisadas por você foram tiradas pelos servidores da ESEC Tupinambás (ICMBio Alcatrazes), Silvia e Geraldo. Os costões rochosos fotografados são da Ilha das Palmas (Ubatuba - SP), uma das ilhas pertencente à ESEC Tupinambás. Tratam-se de fotos subaquáticas, tiradas entre 6 e 12 m de profundidade em Janeiro e Abril de 2017.
As fotografias que compõem o Field Guide e a tabela de biótopos da interface de classificação são de autoria de Aquiles Sant'Ana, Paula Mantovanini, Ricardo Mantovanini e Larissa Kawabe.
Agradecemos a todos os nossos cientistas cidadãos fotógrafos por suas contribuições!
Citizen Science is a process which engages citizens to collaborate with scientific researches. This collaboration can be:
1. By elaborating scientific questions of the citizen’s interest;
2. By collecting data that will help to answer a scientific question (elaborated by citizen scientists or professional scientists);
3. By visualizing and discussing the results obtained by the analisys of the data collected.
Thus, Citizen Science contributes to the scientific formation of the citizens involved, who at the same time contribute to the realization of scientific projects of large spatial and/or temporal scale, which would be too difficult or even impossible to do without this collaboration.
We name citizen scientists the volunteers who participate in these projects.
Conservation unit is a terrestrial or marine protected area, instituted by the government (municipal, state or federal), which has the function of conserving or preserving the biological patrimony and has relevant natural characteristics. There are many types of UCs, that can be divided into two groups:
Unit of Integral Protection: the principal aim of this type of unit is the protection of nature, and therefore they have restrictive rules and standards, allowing only indirect use of its natural resources, like recreation in contact with nature, ecological tourism, scientific researches, environmental education and interpretation, without the consuming, collecting or damaging of natural resources.
The integral protection categories are: ecological station, biological reserve, park, natural monument and wildlife refuge.
Unit of Sustainable Use: the aim of this type of unit is to conciliate the nature conservation with sustainable use of natural resources, and the presence of humans in these areas. Activities that involve the collection and use of natural resources are allowed as long as intended to maintain the ecological processes and renewable ambiental resources.
The sustainable use categories are: area of relevant ecological interest, national forest, fauna reserve, sustainable development reserve, extractive reserve, environmental protection area (APA) and private reserve of natural patrimony (RPPN).
The Tupinambás Ecological Station (ESEC Tupinambás) is a marine UC of integral protection located in the north coast of São Paulo state, created in 1987. It has an area of 2.463,59 hectares that includes islands, islets and shoals of the cities of Ubatuba and São Sebastião.
Rocky shores are coastal environments formed by rocks that extended until the seabed. They are located between the transition of terrestrial and aquatic environments and present several associated organisms. The majority of the organisms present in rocky shores are related to the sea. Their hard (consolidated) substrate favors the attachment of algae and larva of various invertebrate species, such as barnacles, mollusks, sponges and corals. These organisms do not occupy the rocky shores randomly. Their distribution in space is related to abiotic (environmental) factors, especially due to the daily variation of the tides; and also by biotic factors, such as the interaction between organisms.
These factors make the organisms to be distributed in a pattern that we call zonation, forming horizontal bands quite different from each other in the rocky shore, that are called:
Subtidal or Infralittoral zone: zone that is always submerged, independent of the tide variation.
Intertidal or Midlittoral zone: zone that is exposed when the tide is low and submerged when the tide is high.
Supratidal or Supralittoral zone: zone that is never submerged by the tide variation, it receives only water splatters from waves.
As we have seen before, the rocky shores are subject to factors that can influence the distribution pattern of the organisms that occupy it, which can be abiotic, as the influence of the tides, wave shock, salinity, temperature, position and declive of the rocky shore, minerals that form the rocks and shading; or biotic, as herbivory, predation and competition between organisms. These variations can occur both over space and time.
In addition to these, there are also human interference factors, especially observed in rocky shores near urban centers, where they are more subject to pollution, excess nutrients in water that reduce the amount of available oxygen (eutrophication), trampling due to high influx of people, and collection of organisms; which can cause biodiversity decline in these areas. In this way, knowledge of the factors influencing rocky shores ecological communities and their continuous monitoring are essential for the detection of variation patterns, helping in the prevention or mitigation of possible future impacts.
In order for continuous monitoring to be effective, an extensive sampling of the rocky shores in a relatively short period of time is required, which is a challenge for protected areas, since they are generally very large areas, with limited human and financial resources to carry out these activities.
We can understand biotopes as units of the landscape that form the mosaic of organisms with different colors, textures and shapes present on substrates that could be hard, like the rocky shores; or soft substrates, such as sand. They are visually easy to identify, whether in the field or through photographs. These visible features of each mosaic units are given by one or a few dominant organisms, making their identification easy and quick; and it is also these dominant organisms that give the biotopes' name.
Each of the mosaic units visible in the photo is a biotope, and this quick and easy identification is also important for monitoring the rocky shores, for example.
Biotopes are divided into four categories, which are:
Bed: encompasses all biotopes with organisms whose individuals can be differentiated from each other. They are larger and less associated than on turfs, and often leave some empty space between them.
Colony: encompasses groups of individuals of the same species living in close association, with each colony occupying a significant portion of the substrate, allowing its distinction as a distinct aspect of the landscape.
Crust: biotopes arranged flat and close to the substrate, sometimes calcified and strongly adherent.
Turf: refers to biotopes composed of small filamentous organisms of one or more species, densely clustered, often entangled, and completely covering the substrate.
Wandering animals may also appear in the photos, which are organisms that can wander around the shores, but have slow locomotion, such as starfish and sea cucumbers.
The names of biotopes are composed by the name of the category to which they belong and the name of the dominant organism(s) that compose the biotope (Category name + Name of the dominant organism).
The photographs were taken by the citizen scientists and SCUBA divers Silvia and Geraldo, employees of ESEC Tupinambás. The rocky shores photographed are from the Ilha das Palmas (Ubatuba, São Paulo state, southeastern Brazil), one of the islands belonging to ESEC Tupinambás. These are underwater photos, taken between 6 and 12 m deep in January and April, 2017.